"O eco do sagrado"
Mesmo que os deuses tenham sido esculpidos na argila da imaginação humana,
a sede que nos leva até eles é real como a fome, como a dor, como o amor.
O homem olha para o céu, não porque lá esteja uma divindade,
mas porque dentro dele há um abismo que clama por sentido.
Inventamos mitos, construímos templos, narramos milagres,
mas tudo isso é apenas linguagem para o indizível,
um esforço desesperado de nomear o mistério.
Talvez nunca tenhamos encontrado deuses fora de nós,
porque eles sempre habitaram o que temos de mais íntimo:
o silêncio da alma, o assombro diante da morte,
a lágrima inexplicável ao ver o pôr do sol.
O sagrado não precisa ter rosto, nem dogma,
ele pode estar na brisa que atravessa a janela,
no toque de uma mão que acolhe,
no instante em que nos sentimos, mesmo por um segundo,
parte de algo maior.
Talvez, então, a busca por deus
seja a busca por nós mesmos,
por algo que nos transcenda sem nos abandonar,
que nos desafie sem nos punir,
que nos diga: “Você não está só”.
Porque mesmo que as histórias mudem,
o que permanece é a pergunta.
E é nela, e não na resposta,
que habita o sagrado.
Cleiton dos Santos
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