Fim
Se por acaso você estiver lendo este livro e eu já tiver partido deste mundo, saiba que há em mim uma alegria serena ao imaginar que alguém, em algum tempo e lugar, decidiu se aproximar dos meus pensamentos. Escrever sempre foi, para mim, uma tentativa de diálogo com o invisível com pessoas que talvez eu nunca conheceria, com mentes que ainda não haviam despertado para determinadas perguntas, ou até mesmo com gerações que só existiriam depois da minha ausência.
Todos os escritores, filósofos e pensadores que admiro, e que tantas vezes me fizeram companhia em silêncio, também já se foram. Ainda assim, nunca os senti mortos. Suas ideias continuam respirando, questionando, incomodando, iluminando. Foi com eles que aprendi que o corpo é transitório, mas o pensamento, quando sincero, pode atravessar o tempo e romper o esquecimento. Se hoje alguém lê o que escrevi, é porque, de alguma forma, consegui fazer o mesmo.
Se este livro chegou até você, significa que não morri por completo. Alcancei, ao menos em parte, o meu objetivo: deixar rastros do que pensei, senti e questionei. Não escrevi para ser celebrado, nem para ser compreendido por todos, mas para ser honesto comigo mesmo e com aqueles que, como eu, não se contentam com respostas prontas. Escrevi porque pensar é um ato de resistência, e registrar o pensamento é uma forma de permanecer.
Caso você tenha sido meu contemporâneo e só esteja lendo estas páginas depois da minha partida, saiba que não carrego qualquer amargura por não ter tido seu apoio em vida. Aprendi cedo que o tempo do reconhecimento raramente coincide com o tempo da criação. Muitas ideias precisam amadurecer longe dos olhos de quem as gerou. Não me entristece o silêncio do passado, se estas palavras encontraram eco no seu presente.
Desejo, sinceramente, que meus pensamentos e reflexões não sejam recebidos como verdades absolutas, mas como convites. Que provoquem desconforto, curiosidade e, acima de tudo, consciência. Que lancem alguma luz sobre sua mente ainda que fraca, ainda que passageira e que essa luz seja suficiente para fazê-lo enxergar além do que lhe foi ensinado.
Se este livro conseguir despertá-lo para um novo modo de ver o mundo, questionar crenças herdadas ou ouvir sua própria voz interior com mais atenção, então minha existência, com todas as suas imperfeições, terá valido a pena. Afinal, viver é breve; mas despertar alguém para pensar é tocar o eterno.
Cleiton dos Santos
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