O INCONSCIENTE TEM FÉ?
Como afirma T. N. S. Closs: “O ser humano não é o produto do meio onde vive conforme aprendemos, o ser humano é o produto, o resultado daquilo que sua cognição absorve.” Palavras, símbolos e narrativas não passam apenas pelos ouvidos, elas se alojam na estrutura da mente.
A infância é o território da confiança. O que é dito por figuras de autoridade se transforma em verdade psíquica. Falar com uma criança é falar diretamente com o inconsciente que continuará operando na vida adulta. Por isso, crenças absorvidas cedo raramente são percebidas como aprendidas; elas passam a ser sentidas como naturais.
Os sistemas religiosos compreenderam esse mecanismo há séculos. Ao falar com o inconsciente das pessoas, utilizam símbolos, histórias, promessas e ameaças que não precisam ser provadas para funcionar, apenas repetidas com emoção e autoridade. Assim, a crença deixa de ser escolha consciente e se torna estrutura interna.
Talvez o verdadeiro amadurecimento humano consista em revisitar aquilo que nossa cognição absorveu sem consentimento. Questionar não é perder a fé, é recuperar a autoria da própria mente. Afinal, se somos o resultado do que absorvemos, também podemos escolher, mais tarde, o que vale a pena continuar carregando.
Cleiton dos Santos
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